Lina e Raul Refree - fados de Amália no CCB em Lisboa, 21 de maio 2020
É em noites como aquelas em que se
apresenta no histórico Clube de Fado, em Alfama, Lisboa, que Lina
verdadeiramente se revela. Nesse contexto, de recorte mais solene, mais
noturno, com a iluminação mais baixa a acentuar o natural intimismo da
ocasião, rodeada de viola e guitarra, sem amplificação, sem qualquer
filtro tecnológico, a sua voz e a sua entrega ecoam de forma
extraordinária no cenário de pedras centenárias, arrebatando quem lhe dá
atenção, arrancando naturais aplausos dos que se deixam enredar nas
palavras que a sua garganta solta, límpidas e profundas, como devem ser
sempre as palavras que uma fadista sente e vive.
Lina nasceu na Alemanha, mas cresceu em
Trás-os-Montes, onde o fado foi descoberta em que apoiou a sua própria
procura de identidade. Mais tarde, no Porto, respondeu ao apelo dos
palcos, estudou e fez teatro, cantou ópera e, um dia, deixou que o fado a
puxasse para dentro de si mesmo quando, de forma impulsiva, deu voz a
três fados que conhecia, recorrendo a todas as lições aprendidas a
escutar de forma atenta Amália Rodrigues, facto que chegou para
impressionar quem programava a reputada Casa da Mariquinhas, um dos
melhores redutos de fado da Invicta, onde passou a apresentar-se
regularmente.
O fado, muito logicamente, puxou-a para
os palcos, mas também a foi trazendo para mais próximo de Lisboa. Foi
Beatriz Costa por mão de Filipe La Féria na sua encenação de A Canção de
Lisboa, e, a convite de Mário Pacheco, a alma do Clube de Fado,
apresentou-se pela primeira vez fora de Portugal, em Varsóvia, trazendo
da viagem a força dos aplausos e a certeza de que este seria o seu
futuro. Foi chamada para a programação do Museu do Fado em 2009 e 2010,
cantou no grande ecrã no filme O Cônsul de Bordéus de Francisco Manso,
em 2012, e estreou-se depois em disco um par de anos mais tarde.
Como artista de atitude personalizada que é, Lina não gosta de se limitar, e isso significa que tanto maravilha em fados tradicionais, como o clássico “Um Fado Nasce” do grande Alberto Janes que cantou no seu álbum de estreia, como em reportório mais moderno, caso de “Falar de Amor”, com poema escrito por Carolina Deslandes, a que deu voz no trabalho mais recente. Lina sabe que é este o seu tempo. A sua alma pode carregar memórias e lições antigas, mas a voz traduz as nuances do amor que vive hoje, que sente de forma profunda na vida que agora leva. E é isso que se sente quando ela canta à nossa frente: no Clube de fado ou num palco maior de um Auditório, em Portugal mas também em importantes salas no estrangeiro. Este arrebatamento que a sua voz inspira acontece porque Lina, enfim, é uma artista verdadeira. Que canta o que sente e que sente como ninguém o que canta. E é isso que a define.
Quem falhar este concerto, poderá ir vê-la a Paris em 28 de Janeiro, a Santiago de Compustela em 27 de Março, Las Palmas em 28 de Março, Tenerife 29 de Março, Londres 2 de Maio e Bruxelas em 20 de Maio.
Informação constante da página da uguru
http://www.uguru.net/artista/carolina/
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